Ser Poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca
TEnho todo direito de negar, esconder, falar, chorar e nada dizer
Tenho todo direito em nada escolher, dar uma pausa para respirar.
TEnho todo direito em sonhar.
E também em mais nada querer ou pensar.
Mas, eu sei que algo irá acontecer.
Aprendi a ouvir e a considerar um conselho bem intencionado
de alguém que me considera e sabe pelo menos ter um lado.
Quero hoje intensidade.
Quero hoje o quente ou o frio.
Ainda preciso aprender a entender o morno.
Este meio termo me incomoda.
Deixa-me sem rumo e corda
para subir, para amarrar minha vida e história.
E isto eu faço com eficiência e usando com firmeza minha memória.
Nada passa, nada é cinza.
Comigo o ton-sur-ton é para escamotear.
Serve para esconder o que se deve clarear.
HOje aprendi a me preservar.
Apanhei demais e até perdi a força de respirar.
Agora tudo, aqui de cima, posso enxergar.
Até tenho direito de errar...
É tão bom...
Cagar e saber se limpar.
Então fica assim...
Que venham me cutucar...
Eu prefiro viver assim, com coisas a me instigar.
Só não me cobrem coerência neste meu momento de tudo deixar rolar
Faço as coisas, agora, sem vergonha do que os outros vão achar.
Faço por mim....
A unica coisa é que não vou mais deixar ninguem por mim chorar...
Isto não...
Já chegam as lágrima que eu mesmo me fiz derramar.
Jà basta o que tanto fiz contra mim
quando a intenção era uma simples paz
ou um simples amar.
A quem vou querer enganar,
Se tudo está aí para ser visto,
para que se cegar?
CARLOS.
Minha vida que parece muito calma Tem segredos que eu não posso revelar Escondidos bem no fundo de minha alma Não transparecem nem sequer em um olhar Vive sempre conversando a sós comigo Uma voz eu escuto com fervor Escolheu meu coração pra seu abrigo e dele fez um roseiral em flor
“... a ninguém revelarei o meu segredo ... e nem direi quem é o meu amor...”
Sobre o meu aniversário, só tenho a dizer que foi fantástico, excepcional, excelente, maravilhoso, ou seja, VALEU CADA MINUTO DO DIA. Comprei o que queria, comi a melhor comida e tomei um ótimo vinho.
prato principal: LAGOSTA.
Um bom vinho tinto.
A entrada foi Camarões ao creme com ervas finas, e platanos fritos (Bananas fritas) . Tinha que tê-las, claro!!!!
Não quis nada de doces...
Ahh. um detalhe importante..ESTAVA NA ISLA SAN ANDRÉS (CARIBE).
O restaurante (La Regatta) ficava na beira da praia, banhado pelas águas transparentes do mar caribenho.
Não sei o nome desses pássaros mas, vou chamá-los de corvos. O restaurante do hotel fica em frente ao mar, no térreo, mesmo local onde é oferecido o café da manhã aos hóspedes. A presença dos corvos são ostensivas. Ficam em volta esperando você levantar da mesa para eles fazerem a "limpeza". Antes disto você os observa pousados nos encostos das cadeiras, esfregando os bicos nas madeiras das cadeiras, catando seus piolhos (ou algo parecido) neles mesmos e alguns literalmente cagam. Levantam graciosamente seus rabinhos penudos e soltam um líquido branco no chão. E você lá, comendo e participando de uma visão tão caribeña... É só alguém levantar e deixar seus restos de alimentos na mesa que eles atacam. Observei que os funcionários do hotel não limpam as mesas com algum produto que realmente desinfete a passagem dos mesmos no local. Num hotel tão bem conceituado, falta um pouco de atenção para este detalhe. Afinal, estes animais são sujos e contaminam o ambiente. Enfim, nem tudo é maravilha, mas, a vida continua...
Existe inclusive na cidade um monumento em homenagem a estes "corvos". Só que este não caga...
Em Bogotá e agora em Cartagena ( Colômbia ) observei que eles levam a sério este negócio de dia das bruxas, em todo lugar tem enfeites. Eles comemoram e levam a sério...
Esta foto eu tirei no saguão do Hotel Capilla Del Mar (onde estou hospedado)
Por Airton Luiz Mendonça (Artigo do jornal O Estado de São Paulo)
O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.
Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio... você começará a perder a noção do tempo.
Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea. Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol.
Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:
Nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia. Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade.
Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo. É quando você se sente mais vivo. Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas. Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.
Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo. Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.
Como acontece? Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa , no lugar de repetir realmente a experiência).
Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noçãode passagem do tempo.
Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida. Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, -... enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.
Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.
Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a... ROTINA A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M(Mude e Marque).
Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ouregistros com fotos.
Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.
Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).
Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.
Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.
Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes. Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.
Seja diferente. Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos..... em outras palavras...... V-I-V-A. !!!
Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.
E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de amigos. Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.
Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos de "minha vida".
Caio Fernando Abreu
Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.
Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.
Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.
Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector "Tentação" na cabeça estonteada de encanto: "Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível". Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.
De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.
Era isso - aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.
Deus, dai-me a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar, coragem para mudar as que eu possa, e sabedoria para distinguir umas das outras; vivendo um dia a cada vez, aproveitando um momento de cada vez; aceitando as dificuldades como um caminho para a paz;